27.8.06

Madalena não pensou que fosse chover tanto e agora estava sem guarda-chuva encostada ao ponto de ônibus sem nenhuma idéia de como ir embora quando uma pomba passou pela calçada à sua frente, encharcada e lenta, detendo-se por um instante e olhando para Madalena com seus olhos pequenos e muito escuros, como que lhe dizendo mentalmente algo feio acerca da chuva ou do peso das penas ou sobre não ter tido a felicidade de nascer gente e ter guarda-chuva, e agora Madalena via os olhos escuríssimos da pomba e sentia frio.